setembro 04, 2013

Espelho meu.

Na juventude tinha tanta poesia. Tanta rima. Tanta pimenta e tanto açúcar. Era tudo vivo e era tudo cor. Nessa juventude não havia medo, só amor. E o que restou, um rosto raso e cansado. Uma voz falha e garganta seca. Um nó sem desato.

Na transição, minha, nossa, tua.

L.L.

abril 24, 2013

Quanto custa?

Viver custa caro quando as relações são caras. Qual preço pagamos em certas relações de amizade, amor, negócios...? A resposta: Nossas vidas, preferências... nossa liberdade.
Mudamos o tempo inteiro e com o tempo o que era sutil pode se transformar em uma mudança dramática e, sinceramente, cabe a cada ser julgar a mudança boa ou ruim. É fato que vamos mudar e sempre quem arcará com o peso de cada pequena escolha que leva a uma mudança somos nós mesmos. E as relações entram em qualquer momento desse pensamento. Para viver é necessário se relacionar. Fico só pensando qual o nível de maturidade um ser deve atingir para não pagar o preço por qualquer relação. Porque no fim, não há de se culpar ninguém por nada, tudo é permitido por nós. Não quero exemplificar o que digo porque é só um pensamento, mas acho que as boas relações que firmamos na vida são as que nos mudam com o que achamos que é melhor e com o que permitimos. A partir do momento em que precisamos disfarçar gostos, praticar contragostos, inventar desculpas para ser o que somos ou o que nos tornamos opcionalmente, fica caro demais. E eu não quero pagar esse preço.

L.L.

abril 23, 2013

Quieto.

Eu tenho algum tipo de introversão e só saio quando quero. Isso me fere porque me é imposto sorrir e conversar o tempo inteiro, se não for assim, é atestado: sou uma pessoa infeliz. Ser infeliz me faz pensar que não se é feliz nunca, mas é estranho perceber que ninguém tampouco é feliz o tempo inteiro, se fosse, nada teria encanto. Gosto das minhas tristezas e da minha introspecção assim como gosto de sorrir e me encantar com o que tenho de belo. Só não entendo a nossa/minha obrigação de estar/ser (ao menos parecer) feliz o tempo todo, ter uma vida ótima o tempo todo, nunca se chatear e estar sempre em cafés/bares maravilhosos sorrindo com os amigos/amor. Se me  canso meu semblante muda, se me chateiro,  se paro para pensar. E no fim, pro meu entendimento fica certo que a beleza de um sorriso sincero está aí: Não ser por tudo.

L.L.

abril 15, 2013

Paixão (part.3)

Todo o desejo
de elevar a alma
usando outro corpo
é bem vindo

Todo o desejo
de sentir esse cheiro
de outra pessoa
é faminto

Mata-me a fome.

L.L.

O dia cinza

O que recai sobre mim nesse dia tão cinza, o peso de todos esses meses de inquietação e dúvida. Correr e não chegar a lugar nenhum. Sentir dor no estômago, vestir máscara e sorrisos e ver os planos descerem corrimão abaixo. Nenhum cheiro, nenhum toque, nem aquele calorzinho de felicidade que dá vontade de cantar. Três passos para trás e não enxerguei nada diferente, só uma pintura mais feia ainda do que seria o futuro. Cansada dos fatos, dos fardos.

L.L.

fevereiro 13, 2013

Paixão (part.2)


Não tinha nada na cabeça.
É, cabeça vazia.
E, bastaram 5 palavras, ditas sem som e lidas com leitura de lábios, para que a cabeça enchesse como uma bexiga de festa de criança.
De lá pra cá. Não sossegou nem um minuto. Não deixou dormir, não deixou comer, não deixou entrar mais ninguém. O único jeito de expelir o que a cabeça não aguentava era escrevendo... Derramando nas letras, nas palavras, tudo que a cabeça não aguentava mais guardar... Transbordava.
Não se sabe bem, se é bom ou ruim, se levará à algum lugar ou se só esta fazendo ficar eu parado. Só se sabe que dominou.

L.L.

Paixão

Paixão tem gosto de
Paixão tem cheiro de
Paixão tem toque de
Pele.

L.L.

janeiro 16, 2013

E dói.

Doeu como um soco, uma paulada, um chute com o dedinho na quina da parede. Como tudo que dói e só se sente, não se vê. A dor de tentar entender o porquê. A dor de não conseguir entender o que se vê. A dor  da porta que se fecha, da falta de opção, a dor da queda.
A dor da perda.

L.L.

Onde estão?

Artista tem alma.
Mas não tem corpo.
O corpo o artista destrói, tentando encontrar a alma.
A calma.

Artista, cafeína, nicotina.
Artista, álcool, metanfetamina.
Artista, contorce, definha.

Como um risco de giz na parede de concreto
Que destrói seu pó e estabelece seu fim
Por um bem maior, a mensagem a transportar
Por uma luva quente, um amor tórrido, uma garganta a arranhar.

Artista, e minha alma?
Minha calma?
Meu corpo?

L.L.


setembro 22, 2012

Change

E de súbito, de forma tão absurda, cai-me a visão de como eu sempre deveria ter sido mais impessoal. O passado sempre vem dar uma voltinha nos meus pensamentos, e lembro-me que simplesmente minha perspectiva era tão medíocre. Minha vida tão aberta. Meus pensamentos tão ingênuos.
Fico pensando que diabos é a nossa essência. Mudei, mudei  tão visivelmente que a menina que habitava esse corpo me faz rir e chorar, de vergonha, de orgulho. Minha substancia só foi moldada a partir do que vivi, e como aproveitamos é simplesmente tão pessoal e intransferível.

L.L.

setembro 17, 2012

Sem dó, mas com nó.


Adoto frases, trechos, livros inteiros.
Adoto o hábito de imaginar suas respostas
Quando eu nem disse nada.
Ensaio reclamações, declarações
Ensaio saudações.
Desculpas para dizer olá.
Aperto meu enter e saio correndo.
Só fica o silêncio.
Só fica o humor, atravessado.
Um nó, bem dado, na garganta, por tudo que eu queria dizer.
Queria. E devia?

L.L.

agosto 02, 2012

Fátima.

Um bem que não se quis. O nome dela era Fátima. Sem apelidos ou contrações. Cabelos negros, tão brilhantes e eu sentia o cheiro de seu shampoo de alecrim quando ela passava e me dava aquela sensação de estar numa cidadezinha de interior, com todas aquelas vendinhas e ruas calmas. Mas, ao fechar e abrir os olhos, ela sumia em meio as pessoas, tanta gente, esquinas cinzas e fumaça. Todo dia jurava que ela passava ali. Sempre sozinha, sempre de olhar longe, sempre calma. Parecia que não era humana, que não pertencia ali, ou a lugar nenhum. Às vezes me perguntava se só eu a via. De pele branquinha, seu nome era Fátima, sem apelidos, só Fátima, sozinha.

L.L.

julho 20, 2012

A cura

Noite de calor, janela aberta, e a música que toca...
Mas o teu amor me cura de uma loucura qualquer, é encostar no teu peito e se isso for algum defeito por mim, tudo bem.
Ah, mas que grande pensamento, momento entorpecedor de uma epifania! O amor cura. De loucura, ou de egoísmo, de arrogância, de doença da alma, de dor de cabeça...o amor é quase como uma super aspirina que a vida nos presenteira, de graça, que cura, rejuvenesce, e até em alguns casos um pouco mais severos, faz renascer.

L.L.

julho 02, 2012

Angústia

Tem tristeza nesse olhar. O amor muitas vezes parece tão frágil, será que pode ser normal? Imaginei o vento frio, mas está tão calor. A vontade das palavras de pularem por mensagens, dedos nervosos, garganta que trava. Não tem coragem e tão pouco provas. Precisa sair, se enfeitar. Precisa enfrentar todos os dias a vida que não dá trégua de parar uns dias de funcionar. Nem se sabe como será, como deveria ser o que não é, mas que estava certo um segundo atrás. É exatamente assim a confusão que fica.
Vai embora mas, volta.

L.L.

De volta

Angústia que a há tempos não sentia
Não tem leveza, não tem alegria.

Sobra lamentação.

L.L.