Um bem que não se quis. O nome dela era Fátima. Sem apelidos ou contrações. Cabelos negros, tão brilhantes e eu sentia o cheiro de seu shampoo de alecrim quando ela passava e me dava aquela sensação de estar numa cidadezinha de interior, com todas aquelas vendinhas e ruas calmas. Mas, ao fechar e abrir os olhos, ela sumia em meio as pessoas, tanta gente, esquinas cinzas e fumaça. Todo dia jurava que ela passava ali. Sempre sozinha, sempre de olhar longe, sempre calma. Parecia que não era humana, que não pertencia ali, ou a lugar nenhum. Às vezes me perguntava se só eu a via. De pele branquinha, seu nome era Fátima, sem apelidos, só Fátima, sozinha.
L.L.