outubro 26, 2011

A escala de cinza

Cinza, como tudo que é triste. E dai que o sol se mostra maravilhoso lá fora, e o céu está mais azul do que nunca esteve? E dai que as nuvens poucas que se encontram no céu formam desenhos que lembram a infância, que fazem sorrir? Se tudo aqui dentro, por baixo da pele não queima, não extasia, não vibra? É só cinza e sem sentimento. Só cinza e com uma agonia semelhante a da fome. É cinza, e espera. É como se soubesse da poesia do mar, do vento, das árvores. Como se tivesse aprendido em outra vida, mas não. Fora nessa. Nessa vida, que agora deixava a poesia e o sol parecerem pertencer a outros olhos, por trás desses olhos que só vêem. Não sentem. Não mais.

L.L.

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